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Desemprego vira drama para jovens até 24 anos



10/07/06

São Paulo, quinta-feira, meio dia. Danilo da Silva, 24 anos, 6ª série, busca coragem para sair de casa. Vai checar a dica de um amigo. “Um trampo ali, do outro lado da marginal (sic)”, resmunga. Nos últimos tempos tem sido assim. Danilo desistiu de rodar a metrópole, sequer dinheiro para tanto tem. A rotina de carroceiro é o que sobra para sustentar a mulher e dois filhos. Do outro lado da cidade, Rodrigo dos Santos, 22 anos, pós-graduando, aproveita o pouco tempo para pensar numa alternativa. Pensa no que pode fazer para encontrar um trabalho, além de tudo o que já fez. “Penso noutra graduação. Penso até em ir embora do País”.

Danilo e Rodrigo não se conhecem e, provavelmente, jamais se conhecerão. Se encontram apenas na estatística de desemprego, drama que atinge atualmente jovens de todas as classes sociais em São Paulo, a maior cidade do País, um retrato, avalia especialistas, do que ocorre hoje no Brasil. Segundo a Fundação Seade e o Dieese, instituições que assinam a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) feita na Grande São Paulo, o desemprego entre jovens de 18 a 24 anos é de 27,2%.

“O desemprego neste grupo realmente está excessivamente elevado”, diz Marise Hoffmann, socióloga e pesquisadora do Dieese. O índice é dez pontos porcentuais maior ao índice geral, hoje em 17%. É também o dobro do nível de desemprego na faixa etária imediatamente seguinte, de 25 a 39 anos, que registra número de 13,4%. Este, aliás, é também chamado de força de trabalho plena.

Não no Brasil. A oferta de mão-de-obra entre trabalhadores de 18 a 24 anos e entre 25 e 39 anos é praticamente a mesma, 83,3% e 84,4%, respectivamente, em São Paulo. “Não é um porcentual visto em países desenvolvidos, mas é uma tradição no País. Os jovens brasileiros ingressam em massa ao mercado de trabalho. Precisam ajudar a família. O problema é que agora topam uma situação muito adversa: não há trabalho para todos”, explica Marise.

PESQUISA NACIONAL

A escassez não é fenômeno paulista. Pesquisa nacional com oito mil jovens entre 15 e 24 anos, coordenada pelo Instituto Polis e o Ibase, realizada em sete regiões metropolitanas do País mais o Distrito Federal, mostrou que o problema do desemprego juvenil é nacional, atinge 60,7% dos jovens. “O levantamento mostra que a situação é pior entre jovens com pouca escolaridade e de renda baixa. Mas a falta de emprego é tão crônica que também atinge quem tem escolaridade e qualificação mais elevadas”, afirma Anna Luiza Salles Souto, pesquisadora do Instituto Polis.

Fonte: O Estado de S.Paulo

 

 

 

   
   
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