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Pesquisa do Dieese mostra que quase metade dos jovens está desempregada

20/07/07

Em termos gerais, o índice de desemprego no País está estável há pelo menos quatro meses. É o que indicam os levantamentos periódicos feitos pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) em seis regiões metropolitanas. Um estudo inédito do mesmo Dieese, no entanto, mostra que para uma parcela da população a falta de trabalho nunca foi tão grave. Entre os jovens com idades de 16 aos 24 anos, a taxa de desocupação chega aos 46,4%. Ou seja, dos 3,5 milhões de desempregados no Brasil, 1,6 milhão estão nessa faixa de idade. As capitais analisadas foram Distrito Federal, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Salvador e São Paulo.

Na comparação das taxas verificadas nas principais capitais, o maior índice está em Salvador (42,8%) e o menor em Porto Alegre (15,6%). Em relação a acesso ao mercado de trabalho pelas mulheres jovens, o índice mais preocupante é o do Recife, onde 48,2% da mão-de-obra feminina não têm uma vaga. Para os pesquisados do Dieese, que realizam o estudo pela primeira vez, não é novidade que existe desigualdade entre homens e mulheres no mercado.

Com as jovens, no entanto, a situação é ainda mais grave pela incapacidade do País em aumentar a oferta de emprego para o contingente feminino sem experiência. “A oferta de emprego para a mulher é mais difícil quando ela é negra, nova e inexperiente”, explica Patrícia Lino Costa, economista do Dieese. “Isso é um reflexo da discriminação existente entre homens e mulheres, ambos possuem salários e funções diferenciadas, o que acaba dificultando o crescimento da força de trabalho feminina”.

A condição socioeconômica também é um dos fatores que influencia a inserção do jovem no mercado. Para aqueles que possuem uma baixa renda familiar, conseguir um emprego é sempre difícil devido à extensa jornada de trabalho, que acaba desestimulando a sua permanência no sistema educacional. A conseqüência disso é a reprodução de um estado de pobreza ao entrar de forma precária no mercado. Ou seja, não consegue uma formação capaz de lhe tirar do desemprego ou do subemprego.

Já os jovens que possuem um poder aquisitivo mais elevado têm mais chances num processo seletivo porque adquirem melhor preparo. O que não significa que para esse iniciante a vaga esteja garantida. O recifense de 24 anos Francisco Braga, estudante de Administração na Universidade Católica de Pernambuco, é um exemplo disso. “Sinto muita dificuldade em conciliar estudo e trabalho, mas não pretendo deixar meu curso para me dedicar a um emprego”. Braga já teve dois estágios e participou de quatro processos de seleção. Do último deles, na sede da Natura, em São Paulo, foi dispensado após a avaliação de fluência de línguas. “Percebi que não basta ter um curso superior, eu preciso ter especializações, cursos extracurriculares e, principalmente, falar pelo menos uma língua fluente”.

Difícil com um curso, pior sem ele. Para os que não têm formação educacional, o ingresso ao mercado é ainda mais complicado. Segundo a pesquisa do Dieese, a região metropolitana de São Paulo é a que mais tem jovens com renda baixa à procura de um emprego. E, pior, a maior parte deles opta por deixar a escola para ter uma oportunidade profissional. Dos 47,9% dos jovens com menor renda familiarque trabalham ou buscam uma vaga, apenas 6,7% conseguem continuar estudando. Enquanto entre os 45,9% dos principiantes com maior renda familiar na mesma situação, 24,6% conciliam a carreira com os estudos.

Esse é um problema longe de uma solução. Patrícia, do Dieese, explica que o número de vagas não vem aumentando o suficiente. “De 1998 a 2003, a distribuição de renda não melhorou, ao contrário, baixou a geração de ocupação entre a população”, conta a pesquisadora. “Por causa disso, muitos jovens tendem a trabalhar ainda mais cedo para compor a renda familiar”. E quando percebem as portas fechadas do mundo corporativo, já abandonaram a escola. O resultado é um enorme exército de inativos com idade e condições de trabalhar, que dedicam seu tempo a funções domésticas e outras atividades sem remuneração. No Recife, 25% dos jovens estão nesta situação. Em Porto Alegre, 20,1%.

Para ter um quadro completo da pesquisa do Dieese, clique aqui.

 

   
   
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