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O primeiro emprego e a remuneração dos jovens no mercado formal de trabalho*
18/05/04

Em que condições encontram-se os jovens que estão vivendo sua primeira experiência de emprego? Ao pesquisar dados do Ministério do Trabalho e Emprego, especialmente a Relação Social de Informações Sociais (RAIS) -, o quadro observado no ano 2000 permite perceber a predominância das tradicionais ocupações em atividades administrativas (auxiliares de escritório) e no comércio (vendedores), que se configuram como a principal porta de entrada da juventude no mundo do trabalho formal.

Chama a atenção também as condições de trabalho: 59% destes jovens "calouros" trabalhavam em estabelecimentos com até 50 empregados - o que na maioria das vezes limita suas perspectivas de ascensão profissional -, e 85% deles cumprem jornadas semanais superiores a 40 horas, o que, certamente, traz prejuízos ao seu desempenho escolar e reduz o tempo e as possibilidades de vivenciar sua condição juvenil.

Quanto aos rendimentos, 90% dos jovens "calouros" recebiam em média até 3 salários mínimos. Se observado por grupos de idade, este percentual chega a 98,4% para os jovens de 15 a 17 anos. O quadro geral das remunerações no universo do mercado de trabalho formal é a expressão das baixas remunerações mensais recebidas pelos trabalhadores brasileiros:
53% dos trabalhadores recebiam até 3 salários mínimos (58% no caso das mulheres);
dentre os jovens, 75% daqueles entre 18 a 24 anos e 98% daqueles entre 15 a 17 anos recebiam até 3 salários mínimos, sem grandes diferenças entre os sexos.

Resumidamente podemos afirmar, segundo os dados estatísticos e as vozes juvenis, que, embora o ingresso no mercado formal esteja cada vez mais vinculado à experiência e escolaridade mais elevada, isso não significa melhores cargos e salários e maiores chances de ascensão profissional, principalmente para os jovens.

Embora o trabalho possa assumir significados diversos no meio juvenil, não podemos deixar de admitir que a maneira como se configura atualmente o mercado de trabalho para os jovens - elevadas taxas de desemprego, e dentre os empregados a predominância de elevada jornada, baixos salários e condições ruins de trabalho - acaba por comprometer e tornar incertas as perspectivas de realização profissional para a maior parte dos jovens brasileiros.

* Baseado em tópico do estudo realizado pelo autor e por Maria Carla Corrochano, "A dança das cadeiras: os jovens e os mundos do trabalho no Brasil contemporâneo", apresentado no Seminário PROSUR 2002 - "Empleo y Desempleo Juvenil en los países del Mercosur y Chile" organizado pela Fundação Friedrich Ebert Stifung, e realizado dia 07 de novembro de 2002 em Santiago do Chile. Este texto foi publicado pela FES/ILDES em dezembro de 2003.

Jorge Luiz Gouvêa é economista, técnico licenciado do DIEESE, mestrando em Economia Política pela PUC/SP, Diretor do Departamento de Geração de Trabalho e Renda da Prefeitura de Santo André e Presidente do Conselho de Administração do Banco do Povo - Crédito Solidário (com atuação em Santo André, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e São Bernardo do Campo).

   
   
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