Jovens com deficiência intelectual são contratados como aprendizes

Por Gláucia Cavalcante
10/10/08
Em 2007, a Associação de Paes e Amigos dos Excepcionais (APAE) de Fortaleza (CE), decidiu inovar no atendimento que era dado aos jovens com deficiência intelectual da instituição. Para isso, começou a formá-los e inseri-los como aprendizes em empresas da cidade.
“Até então, não conhecemos nenhuma outra instituição que realiza esse tipo de formação com esse público específico”, afirma a diretora do Núcleo de Treinamento Profissional da APAE, Luiza Desaire Almeida Sampaio.
A elaboração do programa de aprendizagem da APAE foi feita a partir do material Trabalho, Dignidade e Cidadania - Inserção de Aprendizes e de Pessoas com Deficiência no Mercado de Trabalho: a experiência do Ceará, elaborado pela Superintendência Regional do Trabalho de Fortaleza (SRTE). “A instituição foi procurada pela SRTE e convidada a assumir o desafio de se formar aprendizes com deficiência intelectual”, diz Luiza.
De acordo com a diretora, a SRTE indica as instituições formadoras da cidade para as empresas que precisam contratar aprendizes e, quando procurada, a APAE busca sensibilizar os empresários para que contratem os jovens atendidos pela instituição.
“A aprendizagem ajuda muito na inserção desses jovens no mercado. Mesmo que não sejam efetivados após o término do contrato, uma nova recolocação em outra empresa é muito mais fácil quando eles já possuem essa experiência. Quando o jovem sabe como se portar, sabe como é a rotina do trabalho, fica muito mais fácil a adaptação a um novo emprego”.
Em sua primeira turma de aprendizes, a APAE conta com seis jovens contratados em quatro empresas da região, em áreas como recepção e auxiliar de garçom. De acordo com Luiza, os jovens se sentem muito mais responsáveis e importantes com a contratação. “Um dos aprendizes possui três irmãos e somente ele está empregado. Dos quatro, ele é o único com deficiência” diz.
|