Empresas estão longe de utilizar potencial de contratação

 

Portal Busca Jovem facilita parceria entre formadores e empregadores

 
 

Irregularidades na contratação de aprendizes surpreende MP e DRT


09/08/06

O número de empresas notificadas por irregularidades na contratação de jovens menores de 18 anos como aprendizes em empresas do Distrito Federal surpreendeu a Delegacia Regional (DRT) e o Ministério Público do Trabalho. De janeiro a junho deste ano, 535 hotéis, lojas, bancos, empresas de limpeza e conservação do Distrito Federal foram autuadas por descumprirem a legislação que trata dos menores aprendizes (Lei 10.097, de 2000, regulamentada pelo decreto 5.598, de 2005).

Desse total, 90 casos – 16,8% – foram encaminhados ao MPT porque os estabelecimentos resistiram à regularização no ato da fiscalização. Em todo o ano de 2005, o número de empresas notificadas não chegou a 600.

A DRT, órgão que fiscaliza a situação dos menores nas empresas, intensificou as rondas no DF. Até 2001, apenas seis funcionários eram responsáveis por esse tipo de fiscalização.

Agora, todo o corpo fiscal da delegacia – cerca de 45 pessoas – faz o serviço. Com mais pessoal para atuar, o número de empresas fiscalizadas também aumentou. Saltou de 500 em 2005 para 700 somente no primeiro semestre de 2006. Mesmo assim, o número de empresas notificadas surpreendeu. “Isso nos leva a crer que os estabelecimentos estão aguardando a fiscalização passar para se adequar à lei”, afirma a coordenadora do Núcleo de Apoio às Atividades de Fiscalização da DRT e auditora fiscal, Hilderone de Souza Correia.

Regras
A lei proíbe qualquer trabalho a menores de 16 anos, salvo como aprendiz, a partir dos 14 e sob algumas condições. O menor não pode trabalhar à noite nem em lugares considerados de risco, como postos de gasolina e boates. A lei também estabelece que as empresas (excluindo as de pequeno porte e microempresas) tenham um mínimo de 5% e um máximo de 15% dos trabalhadores na condição de aprendizes.

No entanto, a coordenadora de Trabalho Infantil do MPT no DF, Valesca de Morais do Monte, explica que muitas empresas têm encarado os aprendizes como mão-de-obra barata, caracterizando uma exploração do trabalho infantil. “Acontece de o aprendiz ser tratado como um empregado normal e não recebe nenhum acompanhamento”, conta Valesca, que também coordena o Fórum de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil no DF.

Os casos que são encaminhados ao MPT passam por um processo de investigação. “Quem fiscaliza a legislação trabalhista é a própria DRT. O Ministério Público vai querer saber se a irregularidade notifica é algo comum dentro da empresa”, explica Valesca. A auditora Hilderone Correia diz que o estabelecimento que descuida da situação dos aprendizes geralmente apresenta outras irregularidades. “Via de regra, é isso que nós observamos, infelizmente. Se a empresa não regulariza a situação do adolescente, dificilmente tem regularizada a situação do empregado normal”, aponta.

A coordenadora do MPT relata ainda que o trabalho infantil na formalidade costumava não dar muito problema. “A empresa que desrespeitava a lei era autuada, multada, assinávamos termo de compromisso e pronto, resolvido. Agora estamos tendo dificuldades, chegando a ponto de ter de entrar com ação civil pública contra as empresas”, diz. A DRT intensifica a fiscalização contra esse tipo de exploração do trabalho infantil a cada três meses. Além disso, realiza palestras na intenção de conscientizar as empresas para a importância de regularizar os menores aprendizes.

Informalidade
O trabalho infantil informal também preocupa. Até junho deste ano, 659 crianças e adolescentes foram encontrados atuando na informalidade no DF – a maioria em Ceilândia. São meninos e meninas que vendem flores nos bares, balas nos sinais de trânsito, vigiam e lavam carros, entregam compras, catam papel.

Para a coordenadora de Trabalho Infantil do MPT no DF, Valesca de Morais do Monte, a sociedade aceita o trabalho infantil, mesmo que de forma inconsciente. “Quando se compra flor de uma criança, dá um trocado para o menino carregar as compras até o carro, tudo isso estimula a exploração da mão-de-obra infantil”, alerta. “Às vezes é por pena, por conveniência, mas isso tem levado pessoas que são contra o trabalho infantil a incentivar a prática”, alerta.

As famílias que possuem menores trabalhando na informalidade perdem o direito a auxílios do governo. Mesmo assim, a maior parte das crianças que atuam nas ruas freqüentam as escolas. “A saída é a conscientização e a mobilização da sociedade, do Estado e da família. Mais do que lembrar leis e utilizar-se de qualquer tipo de repressão, é necessário ressaltar os prejuízos que o trabalho infantil causa”, defende Valesca. Ela diz que, apesar do DF ter um dos menores índices de trabalho infantil do país, a situação é alarmante. Sobretudo porque muitas crianças são exploradas dentro das próprias casas, o que dificulta a fiscalização.

Fonte: CorreioWeb

 

   
   
TSE assina termo para contratar aprendize
   
Desafios e inovações na comemoração do 16ª aniversário do ECA
   
Volks deixa de efetivar aprendizes
   
Crise faz com que Volks não contrate alunos do Senai
   
Ciee de Rio Preto abre 150 vagas para profissionalizar adolescente
   
Instituição formará aprendizes até os 24 anos
   
Curso de vestuário encaminha adolescente aprendiz
   

 



Untitled Document
   
Veja como divulgar vagas
   
Leia na íntegra a
Lei nº 10.097
   
Confira livros sobre primeiro emprego
   
Espro oferece cursos para adolescentes