Jovens afirmam que Lei foi decisiva na formação da carreira
Por Bruna Souza
20/05/08
“Após ser aprendiz durante dois anos como office boy, fui efetivado, porém, na área em que eu sempre tive interesse: webdesign”, é o que diz Luan Castro, 18 anos, que considera a experiência da formação no programa de aprendizagem, fundamental nas decisões de sua vida profissional.
Apesar de atuar como Office boy, Castro tinha a oportunidade de utilizar o computador e softwares da empresa nas horas vagas. “Os funcionários notaram que eu tinha interesse e começaram a ensinar alguns programas mais avançados. Me identifiquei com o trabalho e acabei sendo efetivado”, afirma.
Além de Castro, a Lei também foi decisiva na formação da carreira profissional de outros jovens, mesmo após o término do contrato. É o caso da Leidiane Utike, 19 anos, que considera o processo construtivo para sua vida profissional. “Fiquei mais responsável, aprendi a trabalhar em equipe e a ter liderança”. Leidiane foi efetivada e atualmente trabalha na área administrativa da Rádio Jovem Pan, em São Paulo.
Segundo o coordenador geral do Centro de Profissionalização de Adolescentes (CPA), Flariston Francisco da Silva, o programa de aprendizagem funciona como um intermediário entre educação e trabalho e não deve ser considerado como um primeiro emprego. “A experiência deve servir para um processo de vivência e educação do mundo do trabalho.”, explica Silva.
O coordenador afirma que a experiência é altamente emancipatória, pois as vivências contribuem para o amadurecimento pessoal do jovem e para que ele construa uma rede de relacionamentos para o mercado de trabalho. “Esses componentes contribuem para que o jovem complete o processo formativo. É um importante trampolim para a entrada qualificada no mercado de trabalho”, diz.
Cerca de 40% das empresas não cumprem a lei de aprendizagem, mas, segundo Silva, tudo está caminhando, “Hoje o programa contribui muito menos do que realmente pode contribuir, embora passos importantes já tenham sido dados. A lei é uma forma concreta da empresa colaborar com a sociedade”, pontua.
“Hoje, as empresas buscam novos talentos”, finaliza o coordenador.
“Se houvesse mais vagas, existiria menos desemprego porque os jovens têm capacidade, mas não têm oportunidade”, é o que defende Higor Henrrique de Oliveira, 16 anos, que foi efetivado há nove meses na empresa Moet Hennessey/ M. Chandon, em São Paulo
como auxiliar de cobranças. “Antes de ser aprendiz não tive experiência alguma com trabalho, mas foi a partir disso que hoje eu tenho uma oportunidade em uma empresa.”
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