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Jovens querem ser preparados para o trabalho no ensino médio

20/06/08

Pesquisa feita pela ONG Ação Educativa aponta que 43% dos estudantes de ensino médio de São Paulo esperavam ser preparados para o mercado de trabalho ao ingressarem nesse nível escolar. Para eles, a escola deveria ter como prioridade oferecer um aprendizado com foco na inserção profissional. Os resultados coincidem com o atual debate em torno desses três últimos anos da educação básica, etapa do ensino que vive uma crise de identidade, com aumento da evasão e repetência no País.

Enquanto educadores, intelectuais e o próprio Ministério da Educação discutem o que fazer com o currículo nessa etapa e as maneiras de atrair e reter os jovens, o quadro traçado pelos alunos pede uma escola mais próxima de sua realidade, mais disposta a motivá-los para o ensino e capaz de ajudá-los a criar projetos individuais para o futuro, seja indo diretamente para o trabalho ou prosseguindo os estudos numa universidade. Na hora em que recebem a oportunidade de se pronunciar livremente sobre qual escola gostariam de ter, aparecem construções como "o ensino médio não formaria profissionalmente, mas sim promoveria aprendizados básicos para o ingresso no mundo do trabalho" ou "a escola precisa ajudar os alunos a expressarem e colocarem em prática suas idéias". Há também pedidos para que os professores se aproximem mais da classe e dos alunos.

Para a coordenadora da pesquisa Ana Paula Corti, o ensino médio está sem identidade, sem um propósito, sendo dado apenas como continuidade do ensino fundamental. "Além disso, há no momento discussões pelo País embasadas em apostas e dados, mas que em geral não consideram a opinião e os anseios das pessoas que estão na escola", complementa.

Ela chama a atenção para outro fator que diferencia o ensino médio do fundamental: enquanto a educação da 1ª a 8ª série é obrigatória pela Constituição, e tanto governos quanto famílias podem ser punidos caso não ofereçam vagas ou não matriculem as crianças, no ensino médio a escolha é livre. "Se a escola não se mostrar mais interessante para o aluno, se ele achar que não vai acrescentar nada para a vida dele, ele não se matricula e pára de estudar."

No Brasil, cerca de 45% dos adolescentes entre 15 e 17 anos estão no ensino médio, mas a evasão tem aumentado nos últimos anos. No Estado de São Paulo, de 2004 a 2007, houve uma redução de 327 mil estudantes matriculados. O que não quer dizer, para a professora Valéria Leão, da Escola Estadual Jardim Planalto, no Jardim Ângela (zona sul), que os alunos menosprezem a educação - a questão é que eles menosprezam a educação que está sendo oferecida, afirma.

Para Valéria, a capacidade dos estudantes de se pronunciarem e dizerem o que pensam e o que querem para eles mesmos muitas vezes é subestimada, afastando ainda mais os jovens da instituição escolar. "Quando você dá a palavra a eles, fica evidente o descompasso entre a escola e as necessidades que trazem", diz. "Percebemos que eles têm uma capacidade de crítica e vontade de se inserir na comunidade onde estão. Quando não encontram isso, perdem o interesse e caem mesmo no trabalho, arrumando um emprego qualquer."

A pesquisa ouviu 880 alunos de várias escolas da rede estadual de São Paulo para saber o que eles esperavam e o que encontraram no ensino médio. Em seguida, com um grupo menor, foram organizados alguns encontros para debater propostas de melhoria, que resultaram em um relatório feito pelos alunos. Esse documento será entregue na próxima semana para a Secretaria de Estado da Educação.

Fonte: Onda Jovem

   
   
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