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Seminário incentiva empresas a contratarem aprendizes

Por Marina Rosenfeld
12/11/04

Aconteceu na semana passada, dia 04/11, em Salvador, o II Workshop de Mobilização Empresarial para Inserção no Mercado de Trabalho, como Aprendiz, de Adolescentes em Desvantagem Social.

O seminário, promovido pela Instituição Beneficente Conceição Macedo (IBCM) e pelo Centro Social Sementes do Amanhã (CESSAM) e patrocinado pelo Banco Mundial, teve como objetivo sensibilizar os empresários da região para a contratação de adolescentes.

O evento contou com a participação da Delegacia Regional do Trabalho da Bahia, da Secretaria do Trabalho e Ação Social do Estado da Bahia, do Banco Mundial, da Damicos Consultoria e Negócios na área de responsabilidade social e do próprio Conexão Aprendiz, que apresentou o site (www.conexaoaprendiz.org.br) e seu trabalho de sensibilização em empresas e organizações do Terceiro Setor. Adolescentes aprendizes e empresas parceiras também deram depoimentos sobre suas experiências em relação à Lei.

Potencial de contratação - Segundo a auditora fiscal do trabalho da Delegacia Regional do Trabalho (DRT), Marli Costa Pereira, a Bahia tem potencial de contratar 25 mil adolescentes. “Hoje temos apenas mil e duzentos aprendizes. Lutamos muito para que as instituições e as empresas trabalhassem com a Lei. O número de contratações aumentou significativamente de 2003 para 2004”, disse.

Para Marli, a falta de informação sobre a Lei e o desconhecimento sobre o que é um aprendiz faz com que algumas empresas baianas relutem em contratar adolescentes. “A princípio elas têm receio, mas também depois que contratam pela primeira vez, logo perguntam como renovar o programa”.

Carlos Armando Barreto de Santana, da Secretaria do Trabalho e Ação Social do Estado da Bahia vê a aplicação da Lei como uma oportunidade de se ter a primeira experiência. “O mercado é cada vez mais exigente. Além do conhecimento também requer experiência. Essa situação é ainda pior para o adolescente de baixa renda e escolaridade”, comentou. “Estamos numa era que tem como característica aprender, desaprender e aprender sempre e a Lei se encaixa perfeitamente nisso”, complementou Santana.

De acordo com Adriana Nascentes, do Banco Mundial, apesar do adolescente ser apenas um “aprendiz”, diferente de um profissional comum, o que vale é a oportunidade que lhe é dada e a possibilidade de melhorar sua auto-estima. “Com auto-estima ele consegue impulsionar sua vida”, disse Adriana. Fátima Cardoso, coordenadora do Projeto Empregar, da Instituição Beneficente Conceição Macedo, disse que para o adolescente em desvantagem social - que perpassa caminhos duros, de degradação e de negação da própria cidadania -, só o fato de estar numa empresa séria e que lhe respeite já vale muito.

A palavra dos aprendizes – “Vejo amigos meus na rua, tendo que largar os estudos para trabalhar e eu tive essa oportunidade”, disse Emanuelle, 16, uma aprendiz presente no evento.

“A mudança que esse projeto fez na minha vida é incrível. Como aprendiz você é tratado de igual para igual e isso te alimenta, te dá auto-estima para lutar pelo o que quer”, comentou Alessandro Quirenes, também aprendiz.

“Mesmo coisas pequenas como atender o telefone te ajuda a crescer. E tão importante quanto isso é o fato de poder ter meu próprio dinheiro para comprar livros e investir na minha própria educação”, confessou Taís, uma das adolescentes.

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