| Potencial
de ONGs ainda não é totalmente aproveitado

Pos Márcio Santana
16/02/05
“É pouco provável que se esgotem as vagas ou
os cursos do Serviço Nacional de aprendizagem”, acredita
o gerente do núcleo de programas institucionais do Senai
(Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), Luiz Adriano
de Carvalho Mange. “Essa é uma possibilidade hipotética”.
Afirmações como essa, entretanto, coloca em questão
os fundamentos da Lei 10.097. De acordo com seu artigo 430, as escolas
técnicas e as entidades sem fins lucrativos só podem
formar aprendizes caso o Sistema S – Senai, Senac, Senar,
Senat e Sescoop -, não ofereça cursos ou vagas suficientes
para atender à demanda das empresas.
Segundo Mange, o fato de o Senai possuir cursos abertos o ano todo
para formação de aprendizes, independente de ter vínculo
com uma empresa, serve de explicação para a sobra
de vagas e aprendizes. “Mais da metade dos adolescentes formados
pelo Senai, por exemplo, ainda não foram contratados por
uma empresa”, afirma Mange.
Diferentemente do Senai, que tem cursos abertos para formação
de aprendizes em todas suas unidades, o Senac só monta turmas
de acordo com a necessidade das empresas. Isso porque todos os adolescentes
formados pelo Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial)
já têm uma experiência profissional garantida
em uma empresa.
Francisco de Moraes, gerente de desenvolvimento educacional do
Senac-SP, concorda com Mange. “É difícil que
o Senac também não dê conta da demanda de aprendizes”,
diz ele. “A maior parte das companhias têm poucos funcionários,
principalmente na área de comércio e serviços.
Para se ter 30 aprendizes, uma empresa deve contar com um quadro
de cerca de 500 funcionários, pois os adolescentes não
podem atuar em todas as funções de uma empresa”,
explica.
Mas apesar de ser uma possibilidade remota o esgotamento de todas
as vagas, ela existe. Segundo Mange, caso o Senai não dê
conta da quantidade de aprendizes, a instituição emiti
um atestado para as empresas interessadas dizendo que não
há mais vaga ou cursos dispostos para esse fim. O gerente
do Senai diz ainda que se a empresa achar conveniente, pode procurar
uma outra organização formadora para a execução
do programa.
No caso de falta de vagas para formação, o Senac
também assume uma postura parecida com a do Senai. Porém,
com um diferencial. “Também emitimos um atestado às
empresas. A diferença é que a instituição
tem parceria com algumas entidades sem fins lucrativos que trabalham
com a formação de aprendizes”, comenta Moraes.
Assim, quando o Senac não consegue suprir a demanda de vagas,
ou então não possui uma unidade próxima a empresa
requisitante, ele repassa automaticamente os adolescentes para uma
instituição parceira. Moraes completa: “o nosso
objetivo não é disputar esse mercado, mas sim agregar
mais aprendizes ao mundo de trabalho”.
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