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Conselheiros tutelares devem trabalhar em tempo integral
Por Márcio Santana
10 /05/05
“Ao contrário do que se pensa, para garantir o cumprimento
dos direitos das crianças e adolescentes, os conselheiros
tutelares devem trabalhar em tempo integral”. Foi o que garantiu
Rose Pereira, coordenadora de Ação Social da Subprefeitura
do bairro de Pinheiros, durante a 10° edição do
Café Pedagógico realizado no auditório da Faculdade
Sumaré, em Pinheiros, São Paulo. “As denuncias
recebidas pelo conselho não têm hora pra chegar.”
Assim, a qualificação para esse profissional deve
ser completa, tal como o seu comprometimento com o trabalho que
executa. Segundo a coordenadora, para assegurar que os candidatos
fossem, então, “comprometidos” e “qualificados”
com a questão da criança e do adolescente, esse ano
foi feito um pequeno processo de seleção, até
então inédito.
“Todos os candidatos foram convidados a participar de um
encontro, que avaliou seus conhecimentos. Os que demostrassem pouco
ou nenhum conhecimento eram desclassificados assim como os que não
comparecessem, sem ter justificado sua ausência”, comenta.
Afinal, não é apenas o bem-estar infantil que leva
pessoas a se interessarem pela vaga. “Com um salário
(em São Paulo) de R$ 1.300, se tornar um conselheiro tutelar
pode ser uma saída para um cidadão desempregado”,
acredita Rose. De acordo com o Estatuto da criança e do Adolescente
(ECA), qualquer pessoa da sociedade civil que seja maior de 21 anos
e resida no município pode ser candidato ao cargo de conselheiro(a)
tutelar.
E se o comprometimento pudesse ser avaliado por participação
na comunidade interessada, a maioria dos candidatos teriam sido
reprovados durante o Café Pedagógico. Apenas quatro
dos 25 postulantes à vaga na região de Pinheiros compareceram
ao encontro. Estavam presentes; Célia Otaviano, Vera Lucia,
Cristina Lucia Figueiredo, Cristina Almeida de Souza e Carlina Herique
da Silva, que se apresentaram e contaram um pouco de sua história
e suas atuações com a criança e o adolescentes.
Também estavam presentes no encontro Angela Santana e Lane
Magalhães, analistas de Projetos da Fundação
Orsa. Eles apresentaram o projeto “Alô Vida”,
que pretende trabalhar em parceria com os conselheiros. A iniciativa
tem como objetivo receber denúncias de agressão contra
criança e adolescentes via telefone e encaminhá-las
aos conselhos tutelares.
O Café Pedagógico é um encontro que acontece
mensalmente, sempre com temas de interesse coletivo. A idéia
é fortalecer o vínculo da comunidade da região
de Pinheiros, Zona Oeste de São Paulo, com a administração
pública, além de ser um espaço para a criação
de articulações entre moradores, entidades e governo
pelo desenvolvimento local.
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