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Especialistas falam sobre Lei
que altera idade do aprendiz
Por Márcio
Santana
23/12/05
Com a alteração da idade máxima do adolescente
aprendiz de 18 para 24 anos (Lei nº 11.180, publicada em 23
de setembro de 2005), várias dúvidas quanto às
vantagens e desvantagens dessa mudança surgiram.
Para o superintendente do Espro (Ensino Social Profissionalizante),
Marinos Jan Van der Molen, se no lugar de contratarem adolescentes
com menos de 18 anos, as empresas preferirem selecionar jovens um
pouco mais velhos, as oportunidades, antes reservadas somente para
os adolescentes, serão reduzidas drasticamente. Isso ocorreria
porque é mais fácil em termos práticos ter
pessoas com mais de 18 anos: são mais responsáveis
e experientes, podem atuar num maior número de áreas
dentro da empresa e exercer funções e atividades restritas
a pessoas mais novas.
“A Lei a princípio era uma reserva no mercado de trabalho
para os adolescentes, pois garantia a disputa de vagas apenas entre
pessoas entre 14 e 18 anos. Quando se estende o limite de idade
acaba essa restrição e as empresas podem preferir
contratar aprendizes com mais de 18 anos”, afirma Molen.
Vera Marques, coordenadora do programa de aprendizagem do CIEE,
concorda com superintendente do Espro. “Em algumas regiões
do país, a ampliação da idade pode ser uma
alternativa para o desemprego dos jovens. Se o empresário
preferir contratar jovens com mais de 18 anos, os adolescentes ficarão
sem um amparo legal”, garante Vera.
Entretanto, de acordo com Molen, essa mudança também
pode trazer benefícios. “Havia algumas funções
na empresa que os aprendizes não podiam exercer pelo fato
de serem menores de idade. Com essa alteração ampliam-se
as vagas de aprendizagem para essas funções também”,
lembra.
Já para Moacyr Bagnareli, professor do Senai, a alteração
pode ajudar nas políticas públicas de geração
de emprego e educação para jovens. “No Brasil,
o número de jovens excluídos dos sistemas de ensino
é muito grande, por isso qualquer iniciativa que venha contribuir
para o favorecimento e a inclusão social/educacional desses
jovens sempre será bem vinda”, diz.
Tanto o Senai quanto o Espro e o CIEE fizeram modificações
em seus programas de aprendizagem para atender jovens com mais de
18 anos.
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